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Dona Luza divulga nota de esclarecimento sobre as obras de reconstrução da sua casa

Obras de reconstrução da casa atingida por um caminhão estão paralisadas.

Publicado em 15/07/2020
Por Diego Batista/Areado Notícias

No dia quatro de junho um caminhão perdeu o controle e invadiu uma residência localizada na esquina com a Rua Madre Antonia.

Na casa morava Maria Luzia Elias, de 59 anos, conhecida por Dona Luza e seu esposo Paulo Júlio da Silva, de 61 anos.  

Após o ocorrido pessoas se mobilizaram para ajudar na reconstrução da casa dos idosos e do caminhão, que na colisão ficou destruído.

Os dias passaram e as ações começaram. Dona Luza visitou as obras e percebeu que estavam reaproveitando paredes e a laje, que haviam sofrido abalos devido a pancada, sendo assim, ficou insegura quanto a qualidade e segurança da construção.

Logo após, Luza consultou seu sobrinho, Madson, para lhe ajudar com essa questão. Os dois foram até um advogado e foram orientados a procurarem as partes envolvidas para maiores esclarecimentos.  

No comunicado, a idosa fala que não lhe apresentaram o Laudo Técnico e a Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (Documento amplamente utilizado por profissionais da Engenharia, que assegura a responsabilidade na qualidade e execução de uma obra. Ela existe para certificar que a edificação está segura perante os órgãos reguladores).

Sendo assim, as obras foram paralisadas. Veja o comunicado da dona Luza na íntegra:

RESPOSTA DA DONA LUZA À NOTA DE ESCLARECIMENTO EMITIDA

Venho por meio deste, responder ao comunicado emitido sobre a paralisação das obras em minha residência.

Como é de conhecimento de todos, no dia 04 de junho o caminhão do Sr Carlinhos perdeu o controle enquanto descia a Rua do CIEPA atingindo minha casa.

Por sorte não havia ninguém no local no momento do acidente, não havendo vitimas, felizmente. No entanto, como em todas as casas ali eu tinha todos meus móveis, roupas, enfim, todos os meus pertences e que se não fosse esse acidente ainda estariam lá, INTACTOS.

Segundo o comunicado emitido pelos responsáveis pela obra minha casa era assentada no barro e não no cimento e não tinha armações de ferragens. Informo a todos que a casa foi construída na década de 1980 e esse era o modelo de construção da época, isso não quer dizer  que a mesma era ruim ou que por conta disso corria o risco de desabar, muito pelo contrário.

Volto a dizer, se não fosse o acidente ela ainda estaria de pé.

Realmente, após poucos dias fui procurada pelo Sr  Carlinhos para que fosse iniciada a obra. Nossa conversa foi muito amigável e a única coisa que solicitei foi a porta na lateral, pois a parede já tinha sido destruída e precisaria ser refeita de qualquer forma.

Pois bem, as obras foram iniciadas, muitos voluntários se dispôseram a ajudar, ao qual agradeço a cada um de coração, porém quando fui visitar a obra notei que estavam reaproveitando paredes que haviam sofrido abalos devido a pancada, estavam reaproveitando parte da laje também, outra coisa que me opus foi ao fato de ter duas portas de entrada na sala porque me disseram que a porta original não poderia ser tirada pois abalaria a parede que estava sendo reaproveitada. Questionei, porque sou leiga no assunto, não tenho estudos mas ao meu ver aquilo não poderia ficar daquela forma.

Fui informada que o Engenheiro responsável pela obra é que tinha garantido que era seguro prosseguir com as obras daquela maneira.

Sendo assim, meu sobrinho Madson e eu procuramos orientação de um advogado porque me senti insegura quanto as reformas e a primeira coisa solicitada pelo mesmo foi um laudo juntamente com a apresentação da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do Engenheiro se responsabilizando pela obra em questão, quando solicitado por ligação ao advogado do Sr Carlinhos, fomos informados que a obra NÃO TINHA NENHUM RESPONSÁVEL TÉCNICO, pois NÃO HAVIA NENHUM DOCUMENTO REGISTRADO que respaldasse caso alguma coisa viesse acontecer. Por esse MOTIVO e SOMENTE ESSE MOTIVO, preferi que as obras fossem PARALISADAS  até que tudo estivesse dentro do que se espera de uma obra segura.

Uma reunião foi feita para que eu pudesse expor minhas convicções.

Volto a dizer, eu só quero minha casa como era, pois ela ainda estaria lá se não fosse o acidente.    Eu não estou exigindo nada como pode parecer no esclarecimento feito pelo Sr Carlinhos, pois eu não perdi somente a casa, perdi muito do que tinha la dentro, era minha vida ali. Na reunião então foi falado que existia o laudo mas em nenhum momento foi apresentado a nós esse documento.  Combinamos então que eu procuraria um engenheiro e que depois do laudo emitido por ele prosseguiríamos com a obra. O prazo estipulado por ele seria do dia 10 a dia 12/07, porém,  a data para entrega foi alterada para dia 16/07.

 Informo também que não é de meu conhecimento nenhum outro grupo de arrecadação de doações.

 Em caso de dúvidas ou comentários,  me procure, estou a disposição para qualquer esclarecimento sobre o caso, INCLUSIVE , quem quiser ir a obra vai entender o PORQUE DAS MINHAS DECLARAÇÕES (como foi informado na NOTA DE ESCLARECIMENTO emitida pelo Sr Carlinhos): O porque eu não concordo com a obra; que deve começar do zero; que tem uma parede torta; que estou insegura e que não quero uma casa remendada.

Areado, 15 de julho de2020.