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Paciente vai receber doação de medula óssea do filho em MG: 'Vai poder salvar minha vida'

Procedimento é conhecido como transplante haploidêntico, com doador 50% compatível. Renata luta há 15 anos contra linfoma.

Publicado em 04/06/2019
Por G1 Sul de Minas.

Uma paciente de Pouso Alegre (MG), que luta contra um linfoma, irá receber em transplante a doação de medula óssea do filho de 15 anos. O procedimento será feito pela técnica de transplante haploidêntico, que segundo os médicos, é com doadores apenas 50% compatíveis. “Foi uma gratidão enorme saber que meu filho vai poder salvar minha vida e acabar com esse linfoma”, conta Renata do Couto Rosa Ribeiro.

Este tipo de transplante começou a ser realizado há alguns anos em vários países, inclusive no Brasil. “Ele entra justamente para esses pacientes que não têm a opção de outros doadores”, explica a médica Michelle Petrolli Silveira de Souza.

Segundo os médicos, não é o tipo de transplante ideal – a melhor opção é quando o paciente tem um irmão 100% compatível. Ou quando no registro de doadores nacionais e internacionais existe um com as mesmas características.

Parentes próximos, como pais ou irmãos, têm apenas 25% de compatibilidade com o paciente. Fora da família, a chance é de uma em 100 mil.

Mas, segundo a médica, é possível realizar o procedimento com doadores com 50% de compatibilidade com sucesso. “Cada vez mais, os transplantes estão melhores e a gente consegue contornar os riscos. Então eu acho que para o paciente agora é a gente comemorar a possibilidade de hoje ter esse tipo de transplante. Poder levar à cura”, defende a médica.

 

A doença

 

Renata foi diagnosticada com linfoma e começou o tratamento há 15 anos. A luta era para encontrar um doador 100% compatível para realizar o transplante.

 

“A busca é constante, a luta é diária. Eu falo que é doar vida em vida. Só nós pacientes que passamos mesmo, quando o médico nos dá o diagnóstico, que nós não temos um doador na família ou no Redome, o banco de medula óssea, é que sabemos o quão frustrante é isso”.

Ao longo dos anos, Renata recebeu diferentes tratamentos. “Desde 2004 eu me trato. Eu fiz todo tipo de tratamento pro linfoma e a doença persistiu. O transplante foi feito. Seis meses depois, um tempo que não é esperado pelos médicos, foi um tempo muito rápido para a recidiva da doença. E de 2010 para 2017, eu fiquei bem. E agora que a doença voltou, foi no final de 2017”, explica Renata.

 

Agora, com a possibilidade de ter a ajuda do filho, a paciente teve de volta a esperança. Mesmo tímido e com medo de agulhas, o jovem Vinícius Guilherme Couto vai ajudar a mãe. “Pra salvar a vida da minha mãe não tenho medo não”.

Após o procedimento, Renata deve ter mais sessões de quimioterapia. A previsão é que ela seja internada na próxima semana em São Paulo, no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, para realização do transplante. Mas não há data marcada para o procedimento.