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Alienação Parental: Usando a criança como instrumento de vingança

Publicado em 06/11/2017 por Ademir Almeida


Vivemos em um mundo complexo e problemático, que influencia diversas áreas que constituem o ser humano. Uma delas, a área familiar, tem sido, como nunca, alvo de severas crises: infidelidade matrimonial, pais que abusam dos filhos ou os rejeitam na gestação e na concepção, filhos que se rebelam contra os pais e que sofrem com o divórcio deles. Enfim, a lista é grande. Mas gostaria de refletir neste artigo sobre um assunto que tem sido cada vez mais comum tanto no meio evangélico como fora dele: a Alienação Parental. Você sabe o que significa isto? Em definição mais simplificada, Alienação Parental (AP) é quando um dos pais, em processo de separação ou não, tenta posicionar seus filhos contra o outro genitor. As consequências causadas nos filhos por essa alienação é descrita como Síndrome de Alienação Parental (SAP). Esta síndrome foi o termo proposto pelo médico psiquiatra infantil Richard Gardner, nos anos 80. Em 26 de agosto de 2010, foi publicada a Lei Nº 12.318, sobre Alienação Parental.

O Art. 2º traz um parecer sobre o assunto: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”. Em uma entrevista veiculada no programa Fantástico, da rede Globo, em 10/03/13, a advogada Ana Gerbase ressaltou: “A Alienação Parental é a prática do pai ou da mãe em afastar o outro da vida da criança. O pai ou a mãe usa a criança como instrumento de vingança”. Em compatibilidade com a idéia de Gardner, inferimos que a Alienação Parental é um processo de “lavagem cerebral”, que induz a criança a voltar-se contra um de seus genitores. Pois bem, lamentavelmente esta questão está aflorada no contexto familiar de nossos dias. Quantos casais em crise optam pelo divórcio ou ainda vivem juntos, mas incluem seus filhos em suas brigas? Quantos pais, que mesmo casados, semeiam ódio no coração de seus filhos em relação às mães, e vice-versa? Atitudes que estimulem a criança à rejeição de um de seus genitores podem trazer sérias consequências psicológicas e físicas para ela. Vemos isso na prática do atendimento psicológico e do aconselhamento pastoral. Em alguns casos, todo “encanto” da criança por um dos genitores pode desaparecer rapidamente. A criança alienada passará a cultivar sementes de raiva e ódio contra o(a) genitor(a). Desafeto será uma das marcas registrada do coração do alienado. Provavelmente a criança que vive este encalço, poderá apresentar dificuldade de demonstrar respeito, afeição ou admiração por outras pessoas ao longo da vida.

Diante disto, em casos consolidados, podemos nos deparar, em algumas situações, com indivíduos que apresentam certos traços de transtornos de conduta, classificados na Psicologia como desafiador e de oposição. De acordo com o CID F91.3 (Classificação Internacional de Doenças), o indivíduo apresenta características de comportamento provocador, desobediente ou perturbador e não acompanhado de comportamentos delituosos ou de condutas agressivas ou dissociais graves. Ainda na reportagem do Fantástico, Ana Gerbase afirmou que a lei Federal protege as crianças que enfrentam certos tipos de trauma: “O juiz deve advertir o pai ou a mãe que está alienando. Ele pode indicar acompanhamento terapêutico e até inversão da guarda: tirar a guarda desse pai ou dessa mãe que está alienando e entregar para a parte que está sendo alienada. Essa é a penalidade mais grave que pode acontecer. Hoje a dificuldade de se tratar da alienação parental, judicialmente, é a dificuldade de identificar essa prática”.

Mas como os pais devem encarar esse quadro de alienação? Se eles, de forma imprudente, promovem tais alienações, é preciso que tenham consciência de que tal atitude não trará benefícios para si próprios nem para os filhos, pelo contrário, provocará problemas maiores. Seja qual for a situação, os pais não devem envolver os filhos em suas desavenças como casal. A Bíblia diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 5:4). E os filhos, como devem reagir? Eles devem ter sempre o princípio de honrarem seus pais, e não apenas um deles, independente de qualquer situação. “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êxodo 20:2). Para a família, como um todo, podemos destacar o que está em Hebreus 12:14,15: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”. Para que se viva em paz com todos, inclusive no âmbito familiar, é preciso haver a cura de Deus no coração de cada pessoa contra qualquer ressentimento e a restauração de valores morais no seio familiar. Acima de tudo, é preciso ter a sabedoria que vem de Deus para afastar do lar atitudes e palavras facciosas. Posicione-se contra a Alienação Parental em sua casa. Você é chamado para somar e não dividir. Siga a instrução do Mestre Jesus: “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6:31). Seja um bom exemplo. Sua família agradece!

Referências Bibliográficas:

Disponível em: http://www.alienacaoparental.com.br/o-que-e; acesso em 06 de Fevereiro de 2014.

Disponível em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/03/alienacao-parental-pode-resultar-em-perda-da-guarda-do-filho.html. acesso em 06 de Fevereiro de 2014. 

CID F91.3 (Classificação Internacional de Doenças)

Filme: A Morte Inventada (Documentário)

www.alienacaoparental.com.br

Ademir Almeida

Missionário, Capelão Prisional e Psicólogo