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As antigas festas de Nossa Senhora do Rosário

Publicado em 28/08/2017 por Sandra Prado


Eram sensacionais as antigas festas do Bairro do Rosário. O morro do ginásio era tomado por uma nuvem de poeira a cada carro que subia, enquanto os alunos, eufóricos por algum tipo de divertimento, matavam aulas no turno noturno para participar da novidade .
Havia barraquinha, maçãs do amor, leilões com maravilhosos cartuchos multicoloridos, dava-me vontade de comê-los sem saber o que havia dentro. O leiloeiro equilibrava as prendas na palma da mão, enquanto o braço se movimentava numa dança esquisita e a boca gritava freneticamente:
-Quanto me dão por este brinde?
-Trazentos cruzeiros! Trazentos e dez! Parecia haver uma turma ensaiada para dar lances e fazer a fartura da festa. Assim ,a noite ia embora.

Havia os caiapós, homens fantasiados com roupas feitas de capim, pareciam vassourões humanos, divertiam os adultos a apavoravam os pequeninos; cantavam músicas esquisitas enquanto dançavam rodeando o corpanzil.

Os jovens paqueravam na passarela que havia em volta da igreja, sempre na “mão” certinha, à procura de alguém que lhes desse um pouco de carinho, conforto no segurar das mãos e , quem sabe, beijos na boca, escondidos nalgum cantinho...havia sempre uma terceira figura que “controlava” o pretenso casal ,levando e trazendo recadinhos.

Havia serviço de alto- falante com músicas que respeitavam o horário e a faixa etária, principalmente no domingo da festa. À tarde- A tarde está chorando por vocêêê...sentada na sua cadeira de rodas, tão triste ficava... e outras músicas do mesmo estilo. Durante a noite, os namorados ofereciam canções de amor e o do serviço de som falava no microfone- Esta música, alguém oferece a alguém e este alguém sabe quem, com muito amor e carinho, apaiiiiiiiiixonadamenteeeeee...daí Giani Morandi esguelava os sucessos que derretiam os corações apaixonados, bem como Roberto Carlos, Vanderlei Cardoso, e, para os mais humildes, Odair José.

As barraquinhas pipocavam, trazendo brinquedos do Paraguai, roupas, panelas, e todo tipo de bugigangas que enchiam os olhos de crianças e adultos. Havia alegria , parquinho e as barquinhas que deixavam as mãos calejadas de tanto puxar a corda encardida para movimentar o brinquedo.
Atualmente, tais festas são diferentes. Não existem mais músicas, nem cartuchos, nem aquela alegria simples e despretensiosa dos tempos idos.

Tudo isto ficou guardado num baú secreto que atende pelo nome de saudade.

Sandra Prado