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Estamos indo contra os ventos da tolerância e do respeito

Publicado em 11/04/2018 por Vívian Ruela


Algumas coisas que estão a nossa volta nos permitem, quando somos atentos, a ver e rever situações, a fazer e a refazer escolhas, a ser ou cidadão ou apenas mais um ali, parado, a olhar a vida que passa. E passa rápido. Passa sem trégua, sem parada. Passa ligeira.

Nossa postura diante da vida que temos reflete no que queremos para nós. Somos livres para querer e depois não querer mais. Podemos escolher e depois mudar de ideia.

Contudo, essas posições exigem que respeitemos, sempre, as opiniões divergentes às nossas. Estar diante de uma opinião contrária a que temos e não respeitá-la é jogar por terra tudo que, um dia, lutamos incessantemente para conquistar (aos desatentos, favor verificar os livros de história). Exigimos, um dia, que fôssemos respeitados para que, assim, construíssemos nossa dignidade, tão perdida durante décadas.Hoje fazemos o contrário.

Criticamos e chamamos de vagabundos quem manifesta-se a favor de alguém, mas quando manifestamos contra esse alguém, não éramos vagabundos. Lutamos por muitos anos para que a violência da ditadura não fosse presente na vida dos nossos filhos, mas hoje apoiamos um ditador disfarçado de democrata. Tentamos a vida toda, enquanto pais, proteger nossos filhos, mas saímos de madrugada, após um tiroteio que alicerçou um grande e perigoso assalto, levando nossa prole para presenciar os poderes de um país que não educa seus filhos, para ver do que uma educação completamente deficiente, defasada, atrasada é capaz de fazer na vida de uma pessoa.

Por fim, pedimos uma noite em paz porque não fizemos nada hoje para melhorar a sociedade. Porque, afinal, nós merecemos ter paz, merecemos ter respeito, merecemos que nossas ideias sejam toleradas porque o nosso pensamento é o correto.São os outros que estão errados. Não damos amor, mas exigimos ser amados. Não compartilhamos tolerância, mas exigimos ser tolerados. Não respeitamos, mas exigimos ser respeitados.

Chego a seguinte conclusão: não falta amor no mundo, porque eu não preciso amar todo mundo. O que falta é respeito, é tolerância e altruísmo.